← Fotografia Hobbies

Livros raros destruídos para alimentar IAs: o alerta que chegou da Austrália

02 de August de 2026 519 leituras
Livros raros destruídos para alimentar IAs: o alerta que chegou da Austrália
Foto: Mikhail Nilov / Pexels

Há algo de perturbador acontecendo nas prateleiras de sebos e feiras de livros usados na Austrália. Livreiros experientes começaram a notar um padrão inquietante: coleções inteiras de títulos raros e fora de catálogo desaparecendo do mercado, muitas vezes adquiridas em grandes lotes por compradores que demonstram pouco interesse no valor literário ou histórico das obras. A hipótese que ganha força entre esses profissionais é que esses livros estejam sendo digitalizados em massa e, em seguida, simplesmente descartados — servindo como matéria-prima para o treinamento de modelos de inteligência artificial.

Tim White, um dos livreiros que participou de uma feira recente na Universidade de Melbourne, resume bem o sentimento de quem dedica a vida a preservar esse tipo de patrimônio: para ele, um livro comunica muito além do texto impresso em suas páginas. A encadernação, as marcas do tempo, as anotações à margem, o cheiro do papel envelhecido — tudo isso compõe uma camada de informação que nenhum arquivo digital é capaz de capturar. Quando um exemplar raro é destruído após a varredura, perde-se algo que jamais poderá ser reconstituído.

O problema vai além da saudade ou do apego sentimental. Muitas das obras em circulação nos sebos australianos são exemplares únicos ou de tiragem extremamente limitada, sem qualquer outra cópia catalogada em bibliotecas públicas. Ao serem digitalizadas de forma precária e depois eliminadas fisicamente, essas obras entram em uma espécie de limbo: existem como dado, mas deixam de existir como objeto cultural. E dados, como sabemos, podem ser corrompidos, apagados ou simplesmente esquecidos nos servidores.

A situação levanta questões éticas sérias sobre como a indústria de tecnologia tem se relacionado com o acervo cultural da humanidade. A corrida para alimentar modelos de linguagem com o maior volume possível de texto está criando uma demanda voraz por conteúdo escrito — e o mercado de livros usados, justamente por operar de forma descentralizada e pouco regulada, tornou-se um alvo fácil. Livreiros relatam dificuldade em rastrear o destino final dos exemplares vendidos, o que torna quase impossível responsabilizar quem está por trás dessas aquisições em larga escala.

Para os entusiastas de fotografia, o alerta tem uma ressonância particular: grande parte dos livros mais cobiçados nesse circuito são catálogos de exposições, monografias de fotógrafos e publicações de tiragem limitada que documentam movimentos artísticos inteiros. Perder esses objetos físicos significa apagar referências visuais insubstituíveis. Preservar o livro fotográfico não é apenas uma questão de colecionismo — é um ato de resistência cultural em tempos em que o efêmero digital ameaça engolir tudo que é tangível e único.

Acompanhe a Recifes.net

Entre no Canal do WhatsApp da Recifes.net para receber noticias, bastidores e atualizacoes editoriais diretamente no WhatsApp.

#fotografia de livro #inteligência artificial #livros raros #preservação cultural #sebos
Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.theguardian.com.

Compartilhar:
Leia também